Sequestro de três mulheres em shopping de Salvador: o que já se sabe sobre o caso
Vítimas foram levadas do estacionamento, mantidas em cativeiro por mais de 12 horas e forçadas a fazer transferências; uma suspeita está presa e polícia busca outros envolvidos
Foto ilustrativa / Freepik Três mulheres foram sequestradas no estacionamento do Salvador Shopping, localizado no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador, na tarde de domingo (15). Segundo informações iniciais, as vítimas foram abordadas por suspeitos ainda no local e levadas à força para um cativeiro, onde permaneceram sob ameaça do grupo por mais de 12 horas. Durante esse período, elas foram coagidas a realizar diversas transferências bancárias, incluindo pagamentos via Pix, enquanto sofriam intensa pressão psicológica.
As vítimas foram resgatadas na manhã desta segunda-feira (16), durante uma operação da Polícia Civil da Bahia no bairro de Plataforma. A ação foi resultado de uma mobilização rápida das forças de segurança, que iniciaram as diligências ainda na noite do ocorrido. Equipes especializadas foram empregadas na operação, que conseguiu localizar o cativeiro e garantir a libertação das três mulheres sem registro de ferimentos graves.
De acordo com a administração do shopping, o caso começou a ser percebido após um cliente informar, ainda no domingo à noite, que não havia conseguido encontrar três familiares com quem havia marcado um encontro no local. Diante da situação, o empreendimento iniciou imediatamente uma apuração interna e acionou as autoridades competentes, que passaram a conduzir as investigações do caso.
O Salvador Shopping informou, por meio de nota, que segue colaborando integralmente com as autoridades policiais, fornecendo informações e imagens que possam auxiliar na elucidação do crime. O registro da ocorrência foi feito no plantão do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), que assumiu a coordenação das investigações.
Após o registro, equipes do Deic deram início a uma série de diligências, contando com o apoio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core). As ações incluíram buscas em diferentes regiões da cidade, com o objetivo de localizar as vítimas e identificar os responsáveis pelo sequestro.
Durante as investigações, os policiais conseguiram localizar o veículo utilizado na ação criminosa, embora ele tenha sido encontrado sem ocupantes. No local, peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizaram exames minuciosos para coleta de vestígios que possam contribuir para a identificação dos envolvidos. Paralelamente, imagens de câmeras de monitoramento estão sendo analisadas para reconstituir a dinâmica do crime.
Uma mulher identificada como Emile Quessia Oliveira da Silva Sena foi presa em flagrante por suspeita de participação no sequestro. De acordo com a polícia, ela teria atuado sob ordens do companheiro, que está preso e é apontado como integrante de uma facção criminosa com atuação no estado. Outros dois homens também são investigados e seguem sendo procurados pelas autoridades.
As investigações apontam que o companheiro da suspeita, identificado como Pedro Vitor Lima Sena Souza, conhecido pelos apelidos “Mister”, “Surfista” ou “Noruega”, teria coordenado o crime mesmo estando custodiado no sistema prisional. Ele é apontado como líder de um grupo criminoso com atuação no interior da Bahia e, segundo fontes policiais, continuaria emitindo ordens a integrantes da organização mesmo de dentro do presídio.
Conforme decisão judicial, Emile Quessia teria participado diretamente da ação criminosa por meio de videochamadas realizadas com as vítimas, durante as quais exigia transferências bancárias e fornecia dados para recebimento dos valores. Entre as quantias solicitadas, estaria um repasse de R$ 10 mil via Pix. As vítimas relataram ainda que foram submetidas a ameaças constantes e a forte terror psicológico ao longo do período em que permaneceram em cativeiro.
A Justiça da Bahia decidiu converter a prisão em flagrante da suspeita em prisão preventiva, após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (18). Na decisão, a juíza Mariana Alvariño Britto destacou a existência de indícios consistentes de participação ativa da investigada no crime, além da necessidade de garantir a ordem pública e o andamento das investigações.
O Ministério Público da Bahia manifestou-se favoravelmente à manutenção da prisão. Já a defesa da suspeita alegou irregularidades na ação policial, afirmando que ela teria sido surpreendida enquanto dormia em sua residência. A magistrada, no entanto, considerou o flagrante legal, destacando que há elementos que sustentam a atuação da investigada, incluindo o reconhecimento por parte das vítimas.
Segundo relatos policiais, no momento da abordagem, Emile Quessia teria tentado fugir e destruir o próprio celular ao perceber a presença das equipes. O aparelho é considerado peça-chave para o avanço das investigações, que seguem em andamento com o objetivo de localizar os demais envolvidos e esclarecer todos os detalhes do crime.



