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Salvador,03/04/2026

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Sucata vertical no coração da Pituba, quem ganha com isso?

Invasões, vandalismo e desvalorização cercam um dos maiores imóveis da Pituba.


Sucata vertical no coração da Pituba, quem ganha com isso? Prédio degradado / Pituba 24 Horas

Erguido como símbolo de modernidade e eficiência, o imponente prédio da antiga sede dos Correios, na Avenida Paulo VI, hoje é um retrato incômodo do abandono urbano na Pituba. Inaugurado em 1983, o edifício de 17 andares e mais de 35 mil metros quadrados, que por décadas foi peça-chave da logística postal da Bahia, transformou-se em um gigante de concreto esquecido, cercado por denúncias, insegurança e degradação.


Durante anos, o complexo foi o coração das operações postais em Salvador. Abrigava setores administrativos, auditório, restaurante, estacionamento e amplos pátios para caminhões. Diariamente, entre duas e três mil pessoas circulavam pelo local, fazendo do prédio um ponto estratégico para o fluxo de cartas e encomendas em todo o estado. Era, à época, a materialização de uma cidade que apostava em crescimento, integração e eficiência.


Tudo isso ficou no passado em novembro de 2018, quando as atividades foram encerradas e o imóvel desativado. Desde então, o que se vê é um cenário de abandono progressivo. O antigo marco modernista se tornou um problema constante em plena área nobre do bairro, impactando negativamente o entorno e a percepção de segurança de moradores, trabalhadores e comerciantes.


Apesar das sucessivas tentativas de venda, o prédio parece condenado à inércia. Levado a leilão mais de 15 vezes, o imóvel viu seu valor despencar de R$ 248 milhões para cerca de R$ 109 milhões, sem despertar interesse do mercado. Especialistas apontam o alto custo de reforma ou demolição como entrave, classificando o edifício como um desafio arquitetônico e econômico.


Enquanto isso, o abandono cobra seu preço. Moradores relatam invasões frequentes, furtos de fiação, vandalismo e a presença constante de indivíduos que utilizam o prédio como abrigo improvisado. Os Correios afirmam manter vigilância, mas a realidade percebida por quem vive no entorno revela um cenário persistente de insegurança e descaso.


A contradição salta aos olhos. Em uma das áreas mais valorizadas da Pituba, cercada por comércio, serviços e vias estratégicas, um imóvel com enorme potencial para uso residencial ou comercial segue apodrecendo a céu aberto. O que poderia ser um vetor de desenvolvimento urbano se tornou um foco permanente de problemas.


Mais do que um prédio abandonado, a antiga sede dos Correios representa uma ferida urbana aberta. Sua degradação não é apenas estética ou estrutural, mas social, afetando diretamente a qualidade de vida no bairro e alimentando a sensação de impunidade e negligência.


Diante desse cenário, uma pergunta ecoa entre os moradores da Pituba: a quem interessa que um dos edifícios que já simbolizou modernidade em Salvador continue se transformando, dia após dia, em uma verdadeira sucata vertical?


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